sábado, 18 de novembro de 2017





















destas coisas que vão surgindo
quando normalmente saímos às ruas
coisas que sempre se mostram e mal avistamos
acostumamos com suas presenças constantes
como se fizessem parte de um permanente cenário
como se as olhássemos e não as víssemos
até que um dia partimos e tempos depois ao retornarmos
uma foto antiga nos mostra aqueles mesmos lugares
então aquelas coisas que mal percebíamos
nos encontram e nos chamam
mas nós nos perdemos e não mais sabemos
onde elas ficaram














do primeiro descuido
desfez-se o encontro
do segundo descuido
abriu-se a ferida
tantos descuidos
e quebrou-se o encanto

















de uma abstração
nasce o poema
criança inocente
com séculos de vida
que se diverte brincando
com o sentido dos versos


















a delicadeza não é ostensiva
nem afetada
imaginária carícia
de uma nuvem que passa
breve cantiga
sussurrada na infância

sexta-feira, 17 de novembro de 2017
















aquilo que sei
não aprendi
cheguei de outro lugar
se você quer saber
é só me ouvir pra entender
aquilo que não aprendi













o sujeito trabalha
para criar a família
ter suas coisas
e alguma regalia
eis que um belo dia
o sujeito declara:
eta vida besta!
mas ao mesmo tempo percebe
que não tem outra escolha
e a vida besta prossegue
até que ele envelhece
e a sua jornada termina
aí o poeta observa
a vida é besta desde o começo
ou se descobre o quanto ela é besta
quando pensamos que seria outro
o verdadeiro sentido da vida?













tem o beijo
em todas as idades
porque sempre tem o mais tarde
daí a saudade
de todos os beijos
que jamais serão esquecidos










outro mundo inexiste
se a alma for alguma coisa
ela perece junto com o corpo
o malvado não será punido
o piedoso não será contemplado
sorte a sua se foram muitas as regalias
azar de quem só conheceu o infortúnio
parabéns se viveu muito
paciência se viveu pouco
nada mais além disso
só há sentido enquanto respira
e você aí
perdendo seu tempo
com esse sujeito que não sabe de nada
metido a poeta, pode?
metido a besta, isto sim!
pensa que escreve e não se dá conta
que cava seu buraco no inferno

quinta-feira, 16 de novembro de 2017















o devir há de ser
o não se vai encontrar
o que já passou










vou descobrir
como evitar
o que não preciso saber
o que não quero entender

foi isso outro dia
que me disse um amigo
contrariado com tanta bobagem
que a mídia diversa propaga

a gente se descuida
do que está perto e conhece
e desperdiçamos o tempo
com o desconhecido que nada acrescenta

sinto que o mundo
tem me habitado
sem que eu perceba
consinto que ele me invada

assim refletiu o amigo
e juntos ficamos pensando
e juntos nos lembramos de coisas
que há muito foram esquecidas















ouço visões
que me chamam de longe
imagens expressam
o que palavras escondem
esse é o segredo
daquilo que escrevo
sobre meus sonhos
sobre meus medos
sobre aquilo que vibra
e como quer me arrasta
sob o comando
do que desconheço















não estranhe o amigo
se me agacho e observo formigas
se subo em árvores e imito macacos
se uivo bem alto olhando pra lua
estranhe o amigo
se eu fizer tudo isso
sem logo cedo subir no poleiro
e cantar pra que o dia amanheça













enfim compreendi
que cigarro faz mal
e também o jornal
não faz nada bem
futebol anda aquém
do que se deve esperar
carnaval nem pensar
há tempos se foi
melhor viajar
pra bem longe daqui
quem sabe voar
para perto do céu
onde existe um lugar
que se faz como quer
que se pode encontrar
o que já morreu
















apegas-te às ruínas
e a tua mente envelhece
mais depressa que o corpo
teu coração se machuca
com a rudeza das pedras
e esquece a delicadeza inocente

quarta-feira, 15 de novembro de 2017














por certo a morte
é o único jeito
assim pensam os cativos
quando nada mais os consola
prisioneiros seculares
julgados pelo ódio
condenados por preconceitos
velhas cartas marcadas
cor, raça, sexo, origem
resgatados no tempo
pelo outro lado dos homens
que felizmente se manifesta














meus pensamentos são palavras
que pensando bem
não sei se as conheço
então penso que é arriscado dizê-las
e se as escrevo ainda mais me convenço
que aquilo que manifesta o escrito
pode não ser verdadeiro
e contrariar o que deveria ser dito














daquilo que ouves
não faças juízo
mesmo se considerares
primeiro
aquele que fala
segundo
o que tu conheces daquilo
sejas prudente
domines teu ímpeto
e penses apenas
no que teu coração silencia













perdoa-se a ofensa
em nome da crença
que muitos professam
hipocritamente
que poucos comungam
devotadamente














nem tudo conspira
para o bem do que frutifica
nem sempre germina
aquilo que é puro
sob as leis do injusto
proliferam as ervas daninhas













vivendo em harmonia
com aquilo
que a vida oferece
aceitando sem medo
o esperado desfecho
que a morte prepara

terça-feira, 14 de novembro de 2017














não vai conseguir
o que busca encontrar
aonde não está
melhor compreender
o que é preciso saber
para depois procurar














aquilo que escrevo
separa-se de mim
por isso o poeta
é um ser solitário
que nunca preserva
aquilo que ama
exceto a poesia
que de seus dedos escapa















sagitário é problema
que sem desespero
e um pouco de sorte
um bom ascendente resolve
tem hora que é gente
tem hora que é fera
tem hora que avança
tem hora que espera
se o corpo dispara
a mente ressente
o corpo discorda
se a mente comanda
recomenda-se libra
para um perfeito equilíbrio
gêmeos é risco
a instabilidade aumenta
comigo áries deu certo
já faz muito tempo
que a aliança perdura
e a parceria funciona
















a que se move e controla
altera o contexto
estabelece princípios
regula a disputa
sustenta o equilíbrio
promove a concórdia
água pura desliza
discretamente brilhante
cristalina e envolvente
intensa e abundante
razão inconteste
mãe sobretudo

segunda-feira, 13 de novembro de 2017















as regras existem
sem que saibamos
como elas funcionam
só as descobrimos
quando lembramos 
aquilo de quando 
ainda não éramos














diante da mediocridade
que a mídia propaga
e a sociedade consome
pouco nos resta
que não seja a lembrança
do belo que não se sabe
por onde ele anda
mas que se espera
ainda persista
resistindo nas sombras























a poesia percebe
aquilo que escapa
o ser invisível
protegido nas sombras

a poesia mergulha
no espelho das águas
de um lago tingido
pela brancura das nuvens

a poesia procura
dizer certas coisas
que as palavras não falam

a poesia descobre
no brilho dos olhos
o que o pensamento oculta
















era tanto cipó
que o passado ficou
enroscado na margem
do rio que passou