sábado, 19 de agosto de 2017















em tempo neofascista
coragem amigo
ainda há muita vida
para ser vivida
e muitos males nos esperam
antes que a morte nos livre
de tanta desdita



















muito se enganam
aqueles que pensam
que desta vida
nada se leva
ai quem nos dera
se todos aqueles
que nos amaram
nos devolvessem
as nossas lembranças
que levaram com eles












desfiz-me de todas elas
há muito estavam guardadas
não me alegravam, nem me feriam
já não me diziam mais nada

coisas velhas que me pertenciam
ou ilusão de que fossem minhas
não sei porque permanecia com elas
mania de juntar cacarecos 
que meus versos desprezam
receio de perder o passado 
que há tempos dei por perdido

sexta-feira, 18 de agosto de 2017
















quando ela veio
naquele momento
falando todas a línguas
eu mal dominava
minha língua nativa
mudinho da silva
foi só alegria
ser devorado
por todas as línguas
que ela sabia









meus olhos escuros
enxergaram o vermelho
teus olhos castanhos
enxergaram o vermelho
você disse rosa
eu disse sangue
você disse pedra
eu disse fogo
descobrimos no rubro
sentidos diversos
meus olhos escuros
teus olhos castanhos
se entreolharam surpresos
propuseram o branco













seco se quebra
tocado de leve
doçura aflitiva
áspero afago
só quem te ama
sabe que em ti
a suavidade se esconde
és tão discreto
preservo teu nome



















pai vai e vem
um dia se foi
nunca mais